terça-feira, 6 de janeiro de 2009

שדחמ דלונ



Vem, a porta está aberta, mas vem carregado de sémen e rosmaninho!


Vem, a porta está aberta, ser ode a esta humana humanidade, ser terra, ser peste, a vida sem mais nada!


Vem, a porta está aberta, ver a vida no seu fulgor: tesa e retesa, tanto de ódio como de amor, à mistura!


Vem, a porta está aberta, viver neste corpo carcomido, das facadas dilacerado, mas um corpo humano, astronomicamente humano, sentido, cheirado, saboreado, sangrado.


Vem, a porta está aberta, transgride comigo e saberás o que é ser um de nós.


Vem, a porta está aberta, e enquanto a corda der seremos tudo, tudo mesmo no nosso nada.


Vem, a porta está aberta, ver os filhos da tua Madalena e o tempo será apenas o início.


Vem, a porta esteve sempre aberta!



Vem, não me feches tu a porta, desse céu que governas, vem arranca os olhos e cheio de fé vê que deste poço sem fundo só tirarás terra como o mar tira a vazante da maré!


Vem, não feches tu a porta, e acredita que és tu, tu somente que te negas a ti onde eu sempre disse que sim!


Vem, não me feches tu a porta, e sabe que o teu sim foi sempre um banho de acidez, um caminho de ausência silenciosa, tremendamente escabrosa.


Vem, não feches tu a porta, onde o homem humano é capaz de criar e onde é mortal e limite e termo e miséria.


Vem, não feches tu a porta, porque sem o homem não haveria searas, nem vinhas, nem socalcos e nem te besuntarias de cheiro a sexo.


Vem, não feches tu a porta, ver a inquietude de ter paz na tua face.


Vem, não feches tu a porta, saber que nenhum deus é digno de louvor.



Não vens nem eu vou, a porta é jamais!

E assim estamos, livres e condenados, mas fiéis à condição!

2 comentários:

rivka disse...

A aspereza das palavras pode ser uma absoluta totalidade. A pele destas palavras é aspera. É lingua a lamber ferida.
A condição de ser esta condição é a condição sublime e possível. VEM. VEM. VEM.
Na porta aberta das coisas encerradas cabe a condição serena de se ser desassossego.VEM.
Aqui e agora é o que resta. É o que importa. Vem.
As palavras aqui tocam a aresta da possibilidade da liberdade dentro da clausura.
Vou.

rivka disse...

E a imagem é simplesmente fabulosa.