terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Hino para ti que vens


O teu horizonte foi a ponte das minhas lágrimas de além-mar.


Vem, não demores, vem!


Ecoaste tão fundo na minha alma que ela ficou a desconhecer-se e escreveu a tua presença numa lágrima de futuro, de sangue do meu sangue, de eternidade feita carne, de realidade onde a seara tinha sido fronteira de vazio.


Vem, demora o tempo que tiver que ser, vem!


Estou aqui, sempre aqui estarei, para sempre é o que sou para ti, na dimensão astronomicamente maior que possa haver do sempre – sinto-te tão fundo que não sei se minh’alma se tua, se dois ou um... – e onde estás sendo o excesso, o maior que me verá, sentido, carcomido e enrugado, na ponte do fim!


Vem!


No teu vir está a minha despedida, o meu alcançar, o repouso da minha carne amortalhada, por um sorriso teu de olhos brilhantes de mim.


Vê fundo, tanto quanto vi e vê além, sente tudo quando senti e sente por demais, tenta tudo o que tentei e alcança, vive tudo o que vivi e serás tu, tu tal como vens para dizer “sim”, que aqui estás e és tu, sem máscaras nem disfarces: que vens!

1 comentário:

rivka disse...

É belissimo.
As palavras aqui são esferas que são flores a correr em sangue, são sangue a correr nas noites que são estrelas.
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