Homenagem à insustentável leveza do parto, dedicado às mulheres parideiras e à força de parir...quinta-feira, 21 de junho de 2007
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Voo
Um voo dentro de mim
Uma praia cheia de pedras
Ondas que não me chamam
Mas são eu!
Águas mortas desta vida - sede -,
Searas do deserto
Brechas sem remendo
Alma sem janela
Corpo entupido de intuições
Confusões
Cruzamentos no meu meio
Num pasto sem ervas
Sem horizonte ou sol...
E só pedimos
Um nada de tudo;
Nem isso!
Isso nem está
para ser em nós,
neste mim/si.
Aqui sentado
Sem Sul e Norte
Tendo Tudo
De Nadas.
Uma praia cheia de pedras
Ondas que não me chamam
Mas são eu!
Águas mortas desta vida - sede -,
Searas do deserto
Brechas sem remendo
Alma sem janela
Corpo entupido de intuições
Confusões
Cruzamentos no meu meio
Num pasto sem ervas
Sem horizonte ou sol...
E só pedimos
Um nada de tudo;
Nem isso!
Isso nem está
para ser em nós,
neste mim/si.
Aqui sentado
Sem Sul e Norte
Tendo Tudo
De Nadas.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Apoquentação

Nunca pisei um chão de segurança,
Nunca descansei à sombra da azinheira,
Nunca dormi uma noite por inteiro,
Nunca tive paz nem descanso...
cheguei sempre depois da vinha vindimada;
depois da seara colhida e
só o joio ou o restolho me mataram a fome e o frio!
fui sempre ao sol do meio dia;
sem água e sem sal, descalço,
deserto a fora com calos e bordão na mão!
advim sempre em matinas sem acordar;
de olhos cansados, raiados de sangue e de lucidez,
sentado nos penedos naturais que a vista me alcançou;
ergui e fui sempre a controvérsia
baluarte dos miseráveis na terra dos ricos
uma bandeira rasgada,
um xaile da minha altura.
Sempre apoquentado, sempre
teço a anfibologia:
tendo e sendo muitos,
não tenho e não sou nenhum
– existo vivendo diferentemente o interesse – apoquentação.
Nunca descansei à sombra da azinheira,
Nunca dormi uma noite por inteiro,
Nunca tive paz nem descanso...
cheguei sempre depois da vinha vindimada;
depois da seara colhida e
só o joio ou o restolho me mataram a fome e o frio!
fui sempre ao sol do meio dia;
sem água e sem sal, descalço,
deserto a fora com calos e bordão na mão!
advim sempre em matinas sem acordar;
de olhos cansados, raiados de sangue e de lucidez,
sentado nos penedos naturais que a vista me alcançou;
ergui e fui sempre a controvérsia
baluarte dos miseráveis na terra dos ricos
uma bandeira rasgada,
um xaile da minha altura.
Sempre apoquentado, sempre
teço a anfibologia:
tendo e sendo muitos,
não tenho e não sou nenhum
– existo vivendo diferentemente o interesse – apoquentação.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
sonho que é de realidade
Há um sonho que é de realidade, há uma realidade que é de sonho, e há lucidez que se vai beber ali, de fronte, quando a chuva cai, serena sobre a terra, inesperada, molhada, gota a gota.
Ali onde houve sonho e houve realidade, aí mesmo, soube da morte, do morrer e do estar morto;
soube e não disse, como se fosse um segredo do qual se tem pudor, do qual se guarda timidez, uma certa tibieza pela sua existência, do qual há ruborização somente em pensar, em formar a imagem nítida ou obscura no pensamento;
soube e vivi, revivi e invivi tudo o que pode nos meus desejos, anseios, medos, frustrações, limitações, inibições, experiências, práticas e traquejos, e o que ficou de tanto senão uma vida feita de nadas;
soube e fiquei na ausência presente;
soube e fui na presença ausência insistente;
soube e soube-me – morte, morrer e estar morto – soube-me e soube.
fala-me de sonho, do embalo que tenho nos teus braços quando teus beijos me envolvem na loucura da sensatez; fala-me de sonho, da paz que meu corpo deu ao teu onde o limite transposto foi barreira e ponte; fala-me de sonho, do cuidar, do zelar, do velar e do trato;
há um sonho que é de realidade: morte é embalo, morrer é paz, estar morte é cuidar.
Ali onde houve sonho e houve realidade, aí mesmo, soube da morte, do morrer e do estar morto;
soube e não disse, como se fosse um segredo do qual se tem pudor, do qual se guarda timidez, uma certa tibieza pela sua existência, do qual há ruborização somente em pensar, em formar a imagem nítida ou obscura no pensamento;
soube e vivi, revivi e invivi tudo o que pode nos meus desejos, anseios, medos, frustrações, limitações, inibições, experiências, práticas e traquejos, e o que ficou de tanto senão uma vida feita de nadas;
soube e fiquei na ausência presente;
soube e fui na presença ausência insistente;
soube e soube-me – morte, morrer e estar morto – soube-me e soube.
fala-me de sonho, do embalo que tenho nos teus braços quando teus beijos me envolvem na loucura da sensatez; fala-me de sonho, da paz que meu corpo deu ao teu onde o limite transposto foi barreira e ponte; fala-me de sonho, do cuidar, do zelar, do velar e do trato;
há um sonho que é de realidade: morte é embalo, morrer é paz, estar morte é cuidar.
sábado, 9 de junho de 2007
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Olhar pesado
Respiração tirada à queima-roupa.
A cabeça sustenta o mundo, compacto, denso, quente, azul.
O corpo são léguas de lâminas apontadas para dentro, afiadas, cortantes, pontiagudas, verdes.
Violado, corrompido, forçado, invadido: o mar.
Sangue, desventrado ao amanhecer da vida, sangue.
E veio a noite e que noite esta...
De lés a lés o corpo era uma chama dolorida que vomitava calor,
Um vulcão faminto, furioso, que cuspe, a cima e abaixo da minha altura, o que sou por detrás do que pareço.
Agónicas enxurradas, ora em fumo – os pulmões – ora em lava – a garganta – e o meu corpo, como caravela – ora expondo a pompa aos céus, ora sendo embalado na goelas de Posídon – ia vendo as esperanças paradas!
Mas não há agonia que salve a vida que somos no sangue que derramamos!... – ah, Prometeu, porquê?! –
Insatisfeito, insaciado, descontente, irado...
Cospe do fundo, do negro, do vazio, do nada, da solidão a preto e branco,
O Cerberus
Demónio do poço,
Monstruoso cão de divisíveis cabeças
E cobras ao redor do pescoço.
Esperto, astuto, lâminamente astuto,
Infestou, quimericamente, o meu pensamento, a minha alma, o meu avesso – dura investida! –...
Alastrou, na Atlântida, do meu corpo, dos meus ossos, da minha carne, dos meus olhos – grito, grito, grito!... e quando mais grito, mais aflito! –...
Dominou, hora a hora, onde o tempo foi ausente e a noite sem fim;
Dominou, hora a hora, onde a eternidade amamentou lágrimas secas, estéreis;
Dominou, hora a hora, onde o corpo alucinou-se outramente inventado;
Dominou, hora a hora, onde a alma, liberta, viu-se acorrentada;
Dominou, hora a hora, entre a loucura sustentada e o vómito produzido.
Amanheceu...
Nem Posídon, nem Cerberus, nem Quimera, nem Atlântida... – amanheceu –
Esventrado, torturado, prazenteiramente, trucidado: eu,
apenas eu, no silêncio de quatro paredes brancas – minhas mudas testemunhas –,
apenas eu, na imensidão da geografia – meu Sul –,
apenas eu...
sim!
eu e tive medo de mim,
porque ainda vivo e sinal de repetição!
A cabeça sustenta o mundo, compacto, denso, quente, azul.
O corpo são léguas de lâminas apontadas para dentro, afiadas, cortantes, pontiagudas, verdes.
Violado, corrompido, forçado, invadido: o mar.
Sangue, desventrado ao amanhecer da vida, sangue.
E veio a noite e que noite esta...
De lés a lés o corpo era uma chama dolorida que vomitava calor,
Um vulcão faminto, furioso, que cuspe, a cima e abaixo da minha altura, o que sou por detrás do que pareço.
Agónicas enxurradas, ora em fumo – os pulmões – ora em lava – a garganta – e o meu corpo, como caravela – ora expondo a pompa aos céus, ora sendo embalado na goelas de Posídon – ia vendo as esperanças paradas!
Mas não há agonia que salve a vida que somos no sangue que derramamos!... – ah, Prometeu, porquê?! –
Insatisfeito, insaciado, descontente, irado...
Cospe do fundo, do negro, do vazio, do nada, da solidão a preto e branco,
O Cerberus
Demónio do poço,
Monstruoso cão de divisíveis cabeças
E cobras ao redor do pescoço.
Esperto, astuto, lâminamente astuto,
Infestou, quimericamente, o meu pensamento, a minha alma, o meu avesso – dura investida! –...
Alastrou, na Atlântida, do meu corpo, dos meus ossos, da minha carne, dos meus olhos – grito, grito, grito!... e quando mais grito, mais aflito! –...
Dominou, hora a hora, onde o tempo foi ausente e a noite sem fim;
Dominou, hora a hora, onde a eternidade amamentou lágrimas secas, estéreis;
Dominou, hora a hora, onde o corpo alucinou-se outramente inventado;
Dominou, hora a hora, onde a alma, liberta, viu-se acorrentada;
Dominou, hora a hora, entre a loucura sustentada e o vómito produzido.
Amanheceu...
Nem Posídon, nem Cerberus, nem Quimera, nem Atlântida... – amanheceu –
Esventrado, torturado, prazenteiramente, trucidado: eu,
apenas eu, no silêncio de quatro paredes brancas – minhas mudas testemunhas –,
apenas eu, na imensidão da geografia – meu Sul –,
apenas eu...
sim!
eu e tive medo de mim,
porque ainda vivo e sinal de repetição!
terça-feira, 5 de junho de 2007
Pausa

Antes e depois. Um vácuo preenchido pelo agora.
Ontem e amanhã. Uma distância de vazios.
Tudo e nada. Uma vida de miniatura.
Eu e eu. Um escândalo a olhos vistos.
Pausa.
Silêncio. Uma voz que grita do fundo do mar.
Lentidão. Uma vida de tormentos.
Vagar. Um cantar sem fim.
Parada. Uma tarde, o mar e o pôr-do-sol.
Paragem. O metro cheio de gente.
Interrupção. A vida que começa – parto.
Intervalo. Um beijo esquecido.
Suspensão. A vida que me vai morrendo.
Pausa.
Antes e depois. Um vácuo preenchido pelo agora.
Ontem e amanhã. Uma distância de vazios.
Tudo e nada. Uma vida de miniaturas.
Eu e eu. Um escândalo a olhos vistos.
Ontem e amanhã. Uma distância de vazios.
Tudo e nada. Uma vida de miniatura.
Eu e eu. Um escândalo a olhos vistos.
Pausa.
Silêncio. Uma voz que grita do fundo do mar.
Lentidão. Uma vida de tormentos.
Vagar. Um cantar sem fim.
Parada. Uma tarde, o mar e o pôr-do-sol.
Paragem. O metro cheio de gente.
Interrupção. A vida que começa – parto.
Intervalo. Um beijo esquecido.
Suspensão. A vida que me vai morrendo.
Pausa.
Antes e depois. Um vácuo preenchido pelo agora.
Ontem e amanhã. Uma distância de vazios.
Tudo e nada. Uma vida de miniaturas.
Eu e eu. Um escândalo a olhos vistos.
domingo, 3 de junho de 2007
vEm devagar

Vem devagar,
sorrateiramente,
como quem não quer nada,
vem...
– aconchega-me nos teus braços,
lascas de lâminas de ternura –
e não digas por que é que vens,
vem somente,
sem razão,
sem liberdade,
sem escolha,
sem desejo...
– e dilacera-me o ventre
com o punhal da tua existência,
trucida a minha voz,
teu silêncio,
na tua ausência sentida –
vem impregnado de lucidez,
cega-me os olhos
e vazar-me a pupila do olhar
– seca-me a seiva da vida,
de um só golpe,
lento, demorado, pachorrento,
seca-me...
e não olhes para trás,
não!
Não olhes,
não vejas,
não queiras,
não! –
vem, este naco de carne,
putrefacto,
podre,
nauseabundo,
e regurgita o que podia ter sido
nado incriado.
– vem comer a morte que te sacia,
vem... –
sorrateiramente,
como quem não quer nada,
vem...
– aconchega-me nos teus braços,
lascas de lâminas de ternura –
e não digas por que é que vens,
vem somente,
sem razão,
sem liberdade,
sem escolha,
sem desejo...
– e dilacera-me o ventre
com o punhal da tua existência,
trucida a minha voz,
teu silêncio,
na tua ausência sentida –
vem impregnado de lucidez,
cega-me os olhos
e vazar-me a pupila do olhar
– seca-me a seiva da vida,
de um só golpe,
lento, demorado, pachorrento,
seca-me...
e não olhes para trás,
não!
Não olhes,
não vejas,
não queiras,
não! –
vem, este naco de carne,
putrefacto,
podre,
nauseabundo,
e regurgita o que podia ter sido
nado incriado.
– vem comer a morte que te sacia,
vem... –
ReviRavoLta
Um calaFRIO doloRoso de sabOR amarGo e uma lâMIna que DIlacera nas palaVRas infanTES – naDa em troCa de tUdo – o fIm oNde o princÍpio comeÇa: saBer que a velHice nÃo me pERtence, que o teMPo me dArá o goLpe certEiro no momeNto exaCto da juVentude – sei-mE morrenDo e morTo, eSsa vIda venCida peLo o olHar, Pela bUsca, peloS deseJos, peloS anSeios e pelaS âNsias de podEr mAis e haVer, neSte aQuém, um horiZonte qUe a tesoUra corTa cedO deMais.
Umailusãoeumapaixão,p’raquê?
Umailusãoeumapaixão,p’raquê?
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