sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Prenhe de morte

Quem nos emprenhou de morte? Esta gravidez que se alonga pelo tempo, da cavidade uterina ao jazigo, inunda todos os gestos feitos, a fazer e por fazer. Não existe momento que não seja a expressão do morrer e do estar morto. E somos nos momentos, nas suas junções, nas suas síncopes e nos seus acontecimentos.

A morte é a criatividade da vida, na sua fecundidade, na sua ocorrência e na sua esterilidade. A morte é, igualmente, a corrupção da vida, no seu vazio, na sua possibilidade, na sua realidade.

Chegado o momento do parir, somos parturientes e paridos. E de um só rasgo, ensanguentados e cansados, das dores abençoadas de parir, lançamos na vida o suspiro de tarefa cumprida: o morto vem à luz do dia.

Quando for morto, o sentido emergirá no vazio, no nada, em algo.
Quando for morto serei o meu final.
Quando for morto.

[Somos a morte dentro de nós e somos prenhes de morte!]

Sempre.

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