quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Caderno de Apontamentos - Bruxelles au Metro

A noite mal dormida. Uma cama dura. Diferente. Impessoal. Mal amanheceu – mas aqui o amanhecer e o anoitecer confundem-se com o negro, com a noite, com a imensidão da planura ... – já estavam meus passos nos passeios escuros de Bruxelas. A caminho.

Apanho o metro em Annessens: direcção à Gare du Nord; saio em Rogier, apanho outro metro em direcção a Clémenceau e saio na estação Madou. Estações sujas. Frias. Velhas. Gente. Multidões. Um labirinto de linha férreas debaixo da terra – zummmm.... zzzzuummmm... plimm ppplllliiiiiiiimmmm – e um papel na mão para não me perder. Há um sentimento de solidão quando se anda de metro; de solidão e de amargura. As linhas férreas parecem uma prisão de destinos, somente aqueles e mais nenhuns; não há opção senão as predefinidas; as saídas de metro mais parecem dilemas existenciais: onde irão dar realmente?! Um caminho de subterrâneos que ora sobem, ora descem, onde se sentem odores animais e naturais, a café e a bolos – não, nada a ver com Belém... – e caras sem expressão, sem tristeza nem alegria, apenas caras.

Saio em Madou. Olho o edifício Madou, na Place Madou – quem diabo foi Madou, se foi pessoa? – que imponência de vidro se ergue aos céus – sinto frio, está frio, sentes frio, eu sinto e está vento, um ventinho inconfortável –; movimento-me, espero junto à passadeira, dirijo-me para este palácio de cristal e preparo-me para o apertado cerco de segurança – aliás, não deveria ser a existência a ser objecto de segurança? Por que é que são os artefactos somente os únicos considerados possíveis armas de ataque, armas brancas ou massivas? O segurança não quer saber disso, não faz parte; bom, que entre tudo e que fique o material cá fora – e dou o meu nome e a minha identificação completa, verificam no computador, mandam-me entrar por uma porta, que leva a outra e a outra de seguida e virando à esquerda, apanho o elevador, quando dou por mim, estou no nono piso.

E tudo começa: God morning! How are?! Welcome, I’m pleased to see you again in Bruxelles! How is the weather in Portugal?. Bom, apetece-me voltar para o Metro...

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