Como é largo e imenso este Portugal!Com os pés na terra – as largas planícies e verdejantes, num dia solarengo, da Terceira – e com os olhos enraizados no mar, a Praia da Vitória até faz apetecer cá viver. E essa água, de ventre maternal, embala a terra suavemente, na terra do Nemésio, sem o mau tempo no canal: uma paz podre que não durou muito. Olho em redor e tudo é imenso, grande, largo e apetece deixar a existência descansar e escancarar-se ali. Tudo tão desenhado, tão perfeito que nem parece que estamos na terra da imperfeição. Ah... e os sons, os sons do Portugal na boca de quem vive, falando a língua de Camões. Se eu não fosse madeirense, teria gosto de ser parido nesta baía, num dia solarengo, de mar calmo e azul, de olhos postos no verde telúrico. Aqui não há melancolia, nem tristeza, nem depressões, apenas uma alma lusitana que floresce bravamente no meio do Atlântico – sim, no meio de tanta água, de tanto isolamento e de tanta distância, a qual se canta, em cada canto, no som do vento.
Fecho os olhos, deixo-me ser no som e no silêncio do vento, não mais além nem aquém, somente o sangue lusitano, a carne atlântica e o esqueleto europeu.
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