Não foi preciso dizermos adeus! Não haveria como, não haveria porquê, simplesmente não haveria. Não te perguntei porque foste: não haveria forma de o fazer, na mesma forma que foste; há coisas que não cabem nas perguntas – nem nas respostas, dirias tu; existem somente, fora desse horizonte, sendo pura e doloridamente, sendo universo adentro, cheias de vida... –. Nem me perguntaste porque fiquei, há permanências que só fazem sentido no silêncio. Mas aqui estou indo em ti, estando aí por aqui. Não foi preciso dizer adeus, porque o adeus não se diz, não se empresta, não se dá, nem se recebe: vive-se na carne, nos ossos e no fundo da alma – parece-me que morrer seja um pouco disso, seja um adeus de viver na carne, nos ossos e na alma. [Conforme passa o tempo e nos vamos adestrando nele parece-me que a sensação de incompletude se vai desenhado com mais furor, com maior nitidez, com maior dor] Mas é na vida, no viver que o adeus floresce como as flores na primavera: são os frutos que ali estão como prenúncio.
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