sexta-feira, 15 de junho de 2007

sonho que é de realidade

Há um sonho que é de realidade, há uma realidade que é de sonho, e há lucidez que se vai beber ali, de fronte, quando a chuva cai, serena sobre a terra, inesperada, molhada, gota a gota.

Ali onde houve sonho e houve realidade, aí mesmo, soube da morte, do morrer e do estar morto;

soube e não disse, como se fosse um segredo do qual se tem pudor, do qual se guarda timidez, uma certa tibieza pela sua existência, do qual há ruborização somente em pensar, em formar a imagem nítida ou obscura no pensamento;

soube e vivi, revivi e invivi tudo o que pode nos meus desejos, anseios, medos, frustrações, limitações, inibições, experiências, práticas e traquejos, e o que ficou de tanto senão uma vida feita de nadas;

soube e fiquei na ausência presente;

soube e fui na presença ausência insistente;

soube e soube-me – morte, morrer e estar morto – soube-me e soube.

fala-me de sonho, do embalo que tenho nos teus braços quando teus beijos me envolvem na loucura da sensatez; fala-me de sonho, da paz que meu corpo deu ao teu onde o limite transposto foi barreira e ponte; fala-me de sonho, do cuidar, do zelar, do velar e do trato;

há um sonho que é de realidade: morte é embalo, morrer é paz, estar morte é cuidar.

1 comentário:

rivka disse...

fala-me de ficar. morte.
fala-me de cuidar. morte.
fala-me de mim. morte.
fala-me de tudo. deixa-me morrer.