quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Memórias de Óbidos - Cabo Carvoeiro


Foi no cabo que me ergui em toda a minha altura de humanidade a ver o lanço da distância; numa ponta de Portugal vi o aquém que nos retém sempre nesta saudade que alimentamos, nas lágrimas que deixamos cair e na chuva que nos acompanha nos momentos de estar sozinho.


Olhei o mar, como quem olha a tristeza de um poço sem fundo; vi no horizonte o que nunca será atingido; pousei os meus pensamentos no azul, na brisa, no perfume a peixe grelhado da varina intemporal. E este mar imenso que anda dentro de nós – recordas-te de me dizer isto?! Sim, na naquela conversa que tivemos na praia, à noite, no Verão quente, onde trocamos beijos e sexo, onde me invadiste, violentamente, sem tocar; onde me foste morrendo, sem eu saber?! Soube tarde demais, o dia já tinha nascido, a aurora já há muito tinha passado e o sol te iluminou noutras portos de abrigo, onde eu não sou e tu és, onde tu és porque eu não sou jamais – deixa-nos com sabor a maresia.


Eis o Cabo Carvoeiro, neste Peniche bem português: quem quiser ver do que somos feitos, venha aqui, ore, de pé, frente ao divino mar, veja ao longe a Berlengas e na intimidade a Nau dos Corvos, alce as asas e saiba que sabe voar atlaticamente.

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