segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Memórias de Óbidos - Mosteiro de Alcobaça


Podre alma adormecida que não ascende às moradas que tem – é sombra, é tempo, é realidade, é momento atrás de momento, é loucura sempre coberta pelo nó das situações, estrangulado no osso da ocasião; triturado – aqui e além – da vida que a alma adormecida e adormecida se esfarrapa. As primaveras das manhas da alma deixaram de ser um aberto sorriso e ficaram mudas, ficaram onde não mais podiam ficar, naquele lugar de fronteira, ficaram na espera, no lanço do alcance, de um concreto idealizado jamais, onde tudo o que existe como sendo talvez se purifica, petrifica e apodrece com a candura não maculada; lá onde a alma adormece, onde o seu leito tem a vez mais do que o despertar, aí tudo se transforma na força negra de um anjo caído, cansado de voar e que, corajosamente, decepo as asas, honrando aquilo que, para sempre, seria este aqui; tubos canalizados, arranjados numa jactância de viver adoentado na eternidade, onde o sol da alma deixou de brilhar... tudo tem o seu tempo, a fugaz hora de adormecer, quando já não faz manhã, nem noite que salve uma alma podre. Aqui não encontrei fé, nem a procurei... senti o medo na alma pútrida... senti que a salvação, o outro mundo, a transcendência é feita de pecados!

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