quinta-feira, 22 de maio de 2008

Caminho

«Esta é a estrada que me destrói e que me puxa. Única e última. Este caminho que não é estrada. Este céu que não traz o silêncio, mas que o grita quando o silêncio é insuportável. Penso: talvez eu já não seja este corpo que me tornei, talvez eu já não seja esta forma dentro deste corpo, talvez eu seja eu já morto só a sofrer, sem vontade, só à espera da morte que nunca chegará. E no entanto, nesta tarde insepulta que une e divide o mundo, atravesso qualquer coisa que sou e que conheço. [...] E o cansaço que me prende liberta-me na imposição de continuar.»
J.L. Peixoto, Nenhum Olhar

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