Os caminhos que percorremos são só nossos e nossos somente. As vidas que vivemos dentro da vida, os sentimentos que temos, dentro dos sentimentos, os olhares que lançamos dentro da possibilidade de ver, os toques que oferecemos nos traços desenhados de um outro ser; será tudo isso orquestrado? A náusea de um nauseado... Hoje foste tu que viste ao meu encontro, que do longínquo deserto deste-me de beber um pouco da tua água que sempre me acalmou, que no silêncio, na ausência de palavras sempre me soubeste melhor do que eu. Nunca me pediste nada, nunca me exigiste qualquer coisa, fosse o que fosse; e a tua presença sempre presente, em símbolo de contradição, foi sempre mais longe do que eu poderia querer, do que eu mereceria. Viste sempre o meu lado negro, profundo e abissal, sempre soubeste dele; e nele sempre conseguiste ver oásis e flores e vida; sempre apontaste a luz, o horizonte, o trilho no deserto que coloca ordem no desordenado. E parece que tudo se resumiu certamente à minha brutal incapacidade de voltar a confiar e a dar (onde fui morrendo?). Ainda, parece-me, faltar tempo para me reencontrar na certeza das decisões depois de tudo o que vivi, sofri, vi, senti e consenti: eis a criatura, nua, crua, brutal – quem quiser vê-la, quem quiser lê-la, que arranque os olhos e cheio de fé a veja! Perigosa? Certamente que sim! A alma também adoece, também vive ferida, também sofre com os rasgões dos golpes desferidos: as dores nos ossos da alma sararão as feridas abertas e enxugarão as lágrimas derramadas, quando o nascer do sol for oportuno, novamente; entretanto, o caminhar no deserto far-se-á na solidão.quinta-feira, 1 de maio de 2008
Criatura – a brutal incapacidade
Os caminhos que percorremos são só nossos e nossos somente. As vidas que vivemos dentro da vida, os sentimentos que temos, dentro dos sentimentos, os olhares que lançamos dentro da possibilidade de ver, os toques que oferecemos nos traços desenhados de um outro ser; será tudo isso orquestrado? A náusea de um nauseado... Hoje foste tu que viste ao meu encontro, que do longínquo deserto deste-me de beber um pouco da tua água que sempre me acalmou, que no silêncio, na ausência de palavras sempre me soubeste melhor do que eu. Nunca me pediste nada, nunca me exigiste qualquer coisa, fosse o que fosse; e a tua presença sempre presente, em símbolo de contradição, foi sempre mais longe do que eu poderia querer, do que eu mereceria. Viste sempre o meu lado negro, profundo e abissal, sempre soubeste dele; e nele sempre conseguiste ver oásis e flores e vida; sempre apontaste a luz, o horizonte, o trilho no deserto que coloca ordem no desordenado. E parece que tudo se resumiu certamente à minha brutal incapacidade de voltar a confiar e a dar (onde fui morrendo?). Ainda, parece-me, faltar tempo para me reencontrar na certeza das decisões depois de tudo o que vivi, sofri, vi, senti e consenti: eis a criatura, nua, crua, brutal – quem quiser vê-la, quem quiser lê-la, que arranque os olhos e cheio de fé a veja! Perigosa? Certamente que sim! A alma também adoece, também vive ferida, também sofre com os rasgões dos golpes desferidos: as dores nos ossos da alma sararão as feridas abertas e enxugarão as lágrimas derramadas, quando o nascer do sol for oportuno, novamente; entretanto, o caminhar no deserto far-se-á na solidão.
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