
Há horas de angústia... sempre me perguntei «que haveríamos de ser, quando fôssemos?» e parece que a pergunta sempre conteve, largamente, a resposta. Triste manhã que a mim mesmo me pareço, um erro, um sonho deixado no caminho ido. Cavo em mim o nojo e a repugnância, como o lavrador numa seara estéril, estrangeira à semente. Lavro sulcos duros do complicado que sou, do que parece que veio a ser em mim, ausente de realidade, de espanto, de destinos. Onde e para onde vou, se em tudo o que toco corrompe-se? Triste manhã... mim, frente a mim mesmo, uma decomposição a decorrer durante a manhã da vida. Grito!, aflito e sem ar: estou sem fôlego, mas enquanto vida houver nas gotas de sangue, das quais sou indigno, ainda hei-de andar na verticalidade que outrora fui e da qual tenho saudades.
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