
Nunca pisei um chão de segurança,
Nunca descansei à sombra da azinheira,
Nunca dormi uma noite por inteiro,
Nunca tive paz nem descanso...
cheguei sempre depois da vinha vindimada;
depois da seara colhida e
só o joio ou o restolho me mataram a fome e o frio!
fui sempre ao sol do meio dia;
sem água e sem sal, descalço,
deserto a fora com calos e bordão na mão!
advim sempre em matinas sem acordar;
de olhos cansados, raiados de sangue e de lucidez,
sentado nos penedos naturais que a vista me alcançou;
ergui e fui sempre a controvérsia
baluarte dos miseráveis na terra dos ricos
uma bandeira rasgada,
um xaile da minha altura.
Sempre apoquentado, sempre
teço a anfibologia:
tendo e sendo muitos,
não tenho e não sou nenhum
– existo vivendo diferentemente o interesse – apoquentação.
Nunca descansei à sombra da azinheira,
Nunca dormi uma noite por inteiro,
Nunca tive paz nem descanso...
cheguei sempre depois da vinha vindimada;
depois da seara colhida e
só o joio ou o restolho me mataram a fome e o frio!
fui sempre ao sol do meio dia;
sem água e sem sal, descalço,
deserto a fora com calos e bordão na mão!
advim sempre em matinas sem acordar;
de olhos cansados, raiados de sangue e de lucidez,
sentado nos penedos naturais que a vista me alcançou;
ergui e fui sempre a controvérsia
baluarte dos miseráveis na terra dos ricos
uma bandeira rasgada,
um xaile da minha altura.
Sempre apoquentado, sempre
teço a anfibologia:
tendo e sendo muitos,
não tenho e não sou nenhum
– existo vivendo diferentemente o interesse – apoquentação.
1 comentário:
Nunca ter sido mais do que o que se supôs ser o que bastasse para não ser o nada que vem exactamente antes de tudo. O intermédio entre a coisa nenhuma e a coisa inteira. o ser-se lugar do permeio. Do pormeio. Lugar de vazios cheios. Lugar apoquentado.
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