
Sinto-me cansado; meus pequenos olhos não sustentam a percepção de tanta grandeza, de tanta imponência, de tanta arquitectura delineada – em curvas e contra curvas, colunas, fustes, capiteis e abóbadas em cruzaria, claustros em quadrilátero e arcos de alvenaria – de tão grande povo, dizem, este de ser português no louvor de uma grande Batalha e na Batalha sinto-me estrangeiro e apátrida.
Tanto louvor exterior de uma miséria interior, tanta opulência visível de uma pobreza invisível, tanta matéria com tão pouco espírito – nem o amor de Pedro e Inês, noutra geografia desenhada, atingiu tamanha façanha; nem as mortes nem a vitória de Aljubarrota adivinhavam tal destino petrificado, eternamente erguido, teso e reteso – a desafiar os céus –, deste Mosteiro. Ao menos, para quem o visita pode degustar-se com os Roma, os Sintos e os Calon (gypsies) – de berço indo-europeu – espalhados ao seu redor, a vender tudo o que corpo precisa e a alma anseia; regateie-se e com sorte é o Mosteiro que se hipoteca em troca de uma bijutaria – disseste que a fé é esta pose de andar em pé, erguido em humanidade, lembras-te?!, que ela é nómada… – que é de tal modo tão forasteira ao corpo que somente na lixeira encontra a sua moradia.
Talvez a Saudade seja o Mosteiro que nos falta, desenhada no Atlântico que nos banha e no Marão que nos envolve, no Alentejo que no inclina e no Algarve que no promove além deste aquém na raiz de ser português.
Tanto louvor exterior de uma miséria interior, tanta opulência visível de uma pobreza invisível, tanta matéria com tão pouco espírito – nem o amor de Pedro e Inês, noutra geografia desenhada, atingiu tamanha façanha; nem as mortes nem a vitória de Aljubarrota adivinhavam tal destino petrificado, eternamente erguido, teso e reteso – a desafiar os céus –, deste Mosteiro. Ao menos, para quem o visita pode degustar-se com os Roma, os Sintos e os Calon (gypsies) – de berço indo-europeu – espalhados ao seu redor, a vender tudo o que corpo precisa e a alma anseia; regateie-se e com sorte é o Mosteiro que se hipoteca em troca de uma bijutaria – disseste que a fé é esta pose de andar em pé, erguido em humanidade, lembras-te?!, que ela é nómada… – que é de tal modo tão forasteira ao corpo que somente na lixeira encontra a sua moradia.
Talvez a Saudade seja o Mosteiro que nos falta, desenhada no Atlântico que nos banha e no Marão que nos envolve, no Alentejo que no inclina e no Algarve que no promove além deste aquém na raiz de ser português.
1 comentário:
Na grandeza guarda-se o que de pequeno se fará ser mais. E talvez a saudade também seja lugar da grandez onde o que é pequeno a fez ser.
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