Onde é que tudo foi morrendo?
Onde é que o começo foi prenúncio do fim?
Onde é que, afinal, o kairos deixou de ser, e deu lugar à fatalidade, ao irreversível, ao terrível «tem de ser»?
Esta manta de vivências, de experiências, de desejos e de inibições;
este bordado alinhavado à largura da existência;
este pavio que queima, apagando-se e acendendo-se continuamente;
de tudo isso ficará ao menos, na finalidade de tudo, uma baba como a do caracol que brilhe quando o sol nela descansar os seus raios?
Em cada momento da vida somos o vazio do que poderia ter sido cheio;
somos a imperfeição do que poderia ter sido perfeito;
somos os lábios onde deveria ter havido o beijo – e houve o Sul, sem mais nada;
somos a vida, quando é na morte que tudo se clarifica.
Damos passos, tomamos caminhos, seguimos desejos, apanhamos a chuva que cai das nuvens, enchemos o olhar com o sol da tarde, abundamos as narinas com o perfume da Primavera, besuntamos o corpo com as palavras de silêncio – e mesmo assim somos esse recipiente ora meio cheio ora meio vazio – e haverá diferença entre os momentos em que estamos meios cheios ou meios vazios?
Não continuamos a ser sempre o mesmo do mesmo na diferença dos dias – sendo a diferença os dias ou o mesmo?
Esta real ilusão que arrastamos, buscando nos momentos a vivência e a experiência;
a colher – pedintes! – a gota de orvalho que vai se formando, disformando e informando ao nosso olhar.
Somos este Medo que se espera na estrada do fim.
Somos o Terror do Medo sem fim.
Somos o sítio frágil do mundo que é Fim.
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