sexta-feira, 18 de maio de 2007

Sobre a manhã


A pedra da calçada que piso fica delapidada
E os percursos que faço, desfazem-se
Esfarelo entre as mãos o destino
É no pó que me revejo, é na cinza que ganho asas.

Os caminhos que trilho
São as desgraças ganhas em prémio
São os dias vazios e as horas sem tempo
Os caminhos que trilho

Para onde vou?
Chove na minha vida, como no inverno que me pariu
Chove na minha vida, as lágrimas que derramo no silencia,
Nos sorriso que dou, na mão que estendo,
No olhar que lanço, no toque que quero dar e é-me vedado...

Apetece chorar sobre a manhã
No canto da minha vida, na relva verde em que me deito
Apetece ser a manhã e jamais voltar,
Morrer ao início da tarde...

Mais do que a solidão é o vazio que consome, que esfarela na sua mó, a solidez do sendo; mais que a solidão é o vazio que arrebata matinas sem acordar; penso que poderei engloba-lo todo, mas sendo ele tão grande, serei eu quem perecerá no fim, como tem que ser... e quando for cadáver, frio, deixarei ao mar a minha herança, porque só ele tem fundo para o vazio que carrego.

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