segunda-feira, 21 de maio de 2007

Névoa


Manto de realidade
Torcida no tempo fugaz
Na neblina que não passa nem se desfaz
Há movimentos, há tristezas, há gente
Há criaturas que crescem e outras que desaparecem
Umas que são, outras que não são
E o silvado selvagem
Não sabendo de fronteiras ou limites de partilhas
Calcorreia terra acima e adentro
Apoderando-se do meu e do teu
Fragmentando o que a lei talhou!
Firmes, hirtos, grandes, pequenos
Verdes ou esverdeados
Secos ou maduros
Ali não há gente
Não há humanidade nem crueldade nem sentimento
Ali há silêncio
Que ninguém governa
Que ninguém extingue
Que ninguém conhece.
Terra de ninguém, terra de desgraçados
De mãos carcomidas e de pele talhada
De olhos fundos e de face endurecida
De inocência cruel e de maldade frágil.
Gritos, gemidos, sons ou vozes
Barulho ou sinfonia
Um momento de afazeres, de parires e de gozo
De loucura aceite
Na teimosia do tempo de gota a gota.
De norte ou de sul
De figurais cardeais do não
De horizonte agrilhoado
De realidade suspenso
De nada.
Fim, antes de início
Sentir decepado
De raízes e de altura
De calafrios e de visões vazios
De torturas e melancolia
De outras aventuras e de lugares
De gente
De animais
De plantas
De verdura e de natureza
Espontânea manifestação
Ou fenómeno contorcido
Água barrenta!
A névoa calcorreia
Transcorre o lés
Onde tudo faz sentido
Onde tudo tem o seu túmulo
Onde tudo recolhe a cinza de ser
Bom ou mau
Alto ou baixo
Grande ou pequeno
Gordo ou magro
Certeiro ou desacertadoNa aventura do abraço da névoa!

1 comentário:

rivka disse...

terra de nada. terra de tudo. terra violada. terra virgem. terra coberta. terra desvelada. terra submersa na névoa. terra revelada na névoa. terra de tu.